sexta-feira, agosto 31, 2007

KARL MARX - Resenha: Pro. Itamar

· Nasceu em Trier a 05/05/1818 – Morreu em Londres em 14/03/1883. (viveu 65 anos).

· Economista, Filósofo e Sociólogo alemão.

· Estudou na Universidade de Berlim primeiramente Filosofia hegeliana.

· Formou-se em Iena em 1841.

· Em 1842 assumiu a chefia da redação do Jornal Renano em Colônia, onde seus artigos radical-democráticos irritaram as autoridades.

· Em 1843 mudou-se para Paris.

· Em 1844 editou o primeiro volume dos "Anais Germânico-Franceses", órgão principal dos hegelianos de esquerda. Neste mesmo ano conheceu Engels com quem firmou uma profunda amizade que cultivou ao longo de sua vida. Em parceria com Engels escreveu vários trabalhos (o prefácio).

· Em 1845 foi expulso da França, radicando-se em Bruxelas e participando de organizações clandestinas de operários e de exilados.

· Em 1848, ano em que estourou a Revolução de 24/02, Marx e Engels publicaram o Manifesto Comunista – primeiro esboço da teoria revolucionária que no futuro seria chamado de Marxismo.

· Depois da revolução voltou a Paris. Em seguida voltou à Colônia onde assumiu a chefia do 1° Jornal Diário Socialista "Novo Jornal Renano" (Estado da Renânia).

· Com a derrota de todos os movimentos revolucionários na Europa e o fechamento do Jornal, ele voltouo a Paris de onde foi expulso para Londres onde fixou residência.

· Em Londres dedicou-se a profundos estudos econômicos e históricos, sendo assíduo freqüentador da sala de leitura British Museum.

· Escreveu artigos para jornais norte-americanos sobre política exterior. Durante todo esse tempo sua situação financeira era muito precária, mas foi sempre ajudado por seu amigo engels que vivia em Manchester em boas condições.

· Em 1864 Marx com outros companheiros funda e exerce papel relevante na Diretoria da Associação Internacional de Operários, depois chamada I Internacional.

· Em 1867 ele teve que enfrentar forte oposição dos anarquistas, liderados por Bakunin.

· Em 1872, no Congresso de Haia a Associação foi praticamente dissolvida. Em compensação, em 1875 Marx participava da fundação do Partido Social Democrático-Alemão, que logo depois foi proibido.

Algumas obras de Marx

· Um dos primeiros trabalhos de Marx foi escrito em 1844 "Sobre a crítica da Filosofia do Direito de Hegel" – primeiro esboço de uma interpretação materialista da dialética hegeliana.

· Ainda em 1844 Marx iniciou "Manifestos Econômico-Filosóficos" que deixou inacabados e só foram encontrados e publicados em 1932 em Moscou.

· Em 1845 escreveu com Engels" A Sagrada Família".

· Em 1845/46 escreveu também com engels "A ideologia Alemã". Esta obra teve sua publicação proibida na época, vindo a ser levada ao público em 1932.

· Em 1847 – escreveu sozinho "A Miséria da Filosofia".

· Em 1852, foi publicado em jornais, o 18 Brumário de Luiz Bonaparte, e em 1869 em livro.

Influências

· Marx sofreu forte influência do materialismo dos enciclopedistas franceses do século XVIII, como Diderot, Holbach. Foi também influenciado pelos socialistas utópicos, principalmente Fourier e Saint-Simont, embora criticasse deles o sentimentalismo filantrópico e a utopia.

Principais idéias do Marxismo

· Interpretação materialista ou econômica da história.

· A luta de Classes – para ele a história se reduz a uma sucessão de conflitos entre a classe dominante e a classe oprimida.

· A transição do capitalismo para o socialismo só poderia ser feita pela agressividade consciente da classe operária organizada (o proletariado criado pela Revolução Industrial).

· O trabalho é a fonte e a medida do valor (herdada de Adam Smith).

· Baseou-se também no método dialético de Hegel segundo o qual a história é o resultado do choque das idéias opostas.

O 18 Brumário de Luís Bonaparte

Escrito por Marx em fins de 1851 – início de 1852, ou seja, imediatamente após o golpe de Estado de 02 de dezembro de 1851. "É a primeira interpretação de um acontecimento histórico, no caso o golpe de Estado de Napoleão III, pela teoria do materialismo histórico".

Neste trabalho Marx pretende demonstrar, como ele próprio afirma, de que modo, a luta de classes na França criou circunstâncias, condições que possibilitaram a um personagem medíocre e grotesco desempenhar o papel de herói.

Foi escrito inicialmente para ser publicado em jornal político em Nova York dirigido por um amigo de Marx. Só em 1869 foi publicado como livro.

Esta obra é uma narrativa/interpretação detalhada dos principais acontecimentos históricos ocorridos na França no período 1848/1851 em que governava Luís Bonaparte, que na ótica de Marx não passava de um trapaceiro enganador da opinião pública.

Alguns dados biográficos de Luis Bonaparte

· Filho de Luís Bonaparte, irmão de Napoleão.

· Viveu entre 1808/1893 – foi exilado em 1815 – aos 07 anos.

· Viveu na suíça, na América em 1831 participou do movimento carbonário contra o papado. Com a morte do Duque de Reichstadt (1832) tornou-se a esperança do partido bonapartista.

· Expulso da França dm 1836 instala-se no Reino Unido onde escreve em 1839 "As Idéias Napoleônicas", numa tentativa eficaz de unificar o mito de um Napoleão democrático.

· Em 1840 tenta um novo golpe, mas é preso e condenado a morte. Encarcerado em Hans escreve 18454 "A extinção do Pauperismo" com o que conquista o apoio do proletariado urbano. Em 18846 foge para Londres.

· Em 1848 instalada a republica é eleito deputado. Conquista os operários esposando idéias Saint-Simonistas. Em dezembro de 1848 é eleito Presidente da República.

· Fez um governo bastante tumultuado até que em 1851 (02/12) dá o golpe de Estado e esmaga as resistências prendendo e exilando republicanos e socialistas e, em dezembro de 1852 é proclamado imperador com o nome de Napoleão III. Governa a França até 1870, quando é deposto pela Assembléia. Morre em Kent (Reino Unido) em 1873.

O 18 Brumário de Luís Bonaparte

Engels diz com muita propriedade no prefácio para a III edição dessa obra (1855) que para fazer tão lúcida apreciação dos acontecimentos históricos à medida que eles iam acontecendo, era preciso ter um profundo conhecimento da história da França. Foi certamente este conhecimento que possibilitou a Marx esta "notável compreensão da história da época".

Outro ponto destacado por Engels no seu prefácio e que convém trazer à tona é a característica especial da sociedade francesa naquela época que serviu de campo muito fértil para o desenvolvimento das teorias marxistas sobre as lutas de classe.

Sobre essa realidade escreve Engels: " A França é o país onde, mais do que em qualquer outro lugar, as lutas de classe foram sempre levadas à decisão final, e onde, por conseguinte, as formas políticas mutáveis nas quais se processam estas lutas e nas quais se condensam seus resultados tomam os contornos mais nítidos.

Centro do feudalismo na Idade Média, país modelo, desde a Renascença, da monarquia unitária baseada nos testamentos, a França desmantelou o feudalismo na Grande Revolução e instaurou o domínio da burguesia com uma pureza clássica inigualada por qualquer outro país. A luta do proletariado revolucionário contra a burguesia dominante surgiu aqui sob formas agudas desconhecidas em outros países. Esta foia razão pela qual Marx não só estudou a história anterior da França com especial predileção, como acompanhou também sua história contemporânea em todos os detalhes, reunindo materiais destinados à futura uti8lização.

Marx inicia a sua obra chamando a atenção para uma citação de Hegel segundo a qual "todos os fatos e personagens de grande importância na história do mundo ocorre, por assim dizer, duas vezes" ao que Marx acrescenta: uma vez como tragédia outra como falsa e faz uma alusão clara a Napoleão Bonaparte (tio) e Luís Napoleão (sobrinho).

Para Marx no período de 1848 a 1851 o "fantasma da velha revolução anda por todos os cantos" e fala da frustração do povo que julgava ter feito uma revolução, ter dado um salto qualitativo e de repente percebe que está voltando a uma época morta.

Na a verdade antes de ser a sociedade que conquistou um novo espaço, foi o Estado que voltou à sua forma mais antiga de dominação.

Marx procurou também aqui destacar a diferença entre as revoluções burguesas do século XVIII e as revoluções proletárias do século XIX. Aquelas avançam rapidamente de sucesso em sucesso....o êxtase é o estado permanente da sociedade. Só que elas têm vida curta. Enquanto que as revoluções proletárias sofrem um processo de avaliação constante, são feitas de avanços e recuos, até que cria um ambiente, um clima que as torna irreversíveis.

PERÍODO DE REVOLUÇÃO – 24/02/1848 A 12/1849

No período de 24 de fevereiro de 1848 a dezembro de 1851 a história da França atravessou 03 fases principais.

1ª FASE - O PERÍODO DE FEVEREIRO – 24/02 a 4/5/1848

· 24/02 – queda de Luís Filipe;

· prólogo da revolução – governo e ações provisórias;

· Houve espaço para todos que estavam aliados na revolução:

- oposição dinástica

- a burguesia republicana

- a pequena burguesia democrática republicana e

- os trabalhadores social-democratas.

· Conviviam os interesses mais antagônicos e misturava-se o desejo de mudar com a vontade de manter a rotina e, portanto, nada acontecia.

2ª FASE – 04/05/48 A 28/05/49 – PERÍODO DA CONSTITTUIÇÃO DA REPUBLICA OU DA ASSEMBLÉIA NACIONAL CONSTITUINTE

· 04/05/48 – Instalação da Assembléia Constituinte que não mais representava os princípios da Revolução, parecia reduzir os resultados da revolução à escala burguesa. Os elementos socialistas do governo provisório foram afastados da comissão executiva;

· o proletariado de Paris compreendeu a situação e tentou a 15 de maio dissolver pela força a assembléia Nacional. Frustrou-se no seu intento;

· Blanqui e seus companheiros afastam-se do cenário político (eram os verdadeiros representantes do proletariado);

· A Assembléia Nacional deixa transparecer que as reivindicações do proletariado de paris "são devaneios utópicos, a que se deve dar um paradeiro", ao que o proletariado responde com a Insurreição de junho, considerado o acontecimento de maior envergadura na história das guerras civis da Europa;

· Unem-se então todas as forças do Partido da Ordem e o proletariado fica só. Morrem mais de 3000 e cerca de 15000 são deportados, são considerados anarquistas, socialistas comunistas;

· Com a Insurreição de junho dissolve-se a executiva da Assembléia Nacional e os republicanos burgueses assumiram todos os postos importantes. Esse domínio dourou aé 10/12/48. Os acontecimentos mais importantes foram a elaboração da constituição republicana e a proclamação do estado de sítio em paris.

· A constituição representa a própria negação das causas que defende (a farsa). Todas as liberdades são contempladas mas sempre há uma limitação a ser regulamentada, e ai está a armadilha;

· Em 10/12/48 – Luís Bonaparte é eleito presidente pelo voto universal e significa um desrespeito a constituição que preconizava: "o 1° presidente da Republica Francesa não deverá ter perdido nunca sua cidadania Francesa, Bonaparte não só perdera a cidadania como fora agente especial dos ingleses e naturalizado suíço".

· Marx considerava a eleição de Luís Bonaparte como uma reação dos camponeses que se sentiram traídos pela revolução de fevereiro. Era a luta do campo contra a cidade.

· Curioso é que essa reação dos camponeses encontrou apoio no exército, entre os proletários e pequenos burgueses. Assim, o período entre dezembro de 48 e maio/49 – data da dissolução da Assembléia Constituinte, significa o ocaso dos republicanos burgueses;

· Tão logo assumiu o governo Luís Bonaparte começou a tomar decisões sem consultar a Assembléia Nacional, a exemplo da "expedição da Roma, para o que seriam arrancadas as verbas necessárias sob falsos pretextos";

· Durante todo o seu governo Luís Bonaparte conspirou contra o Parlamento, No início de janeiro/49 juntamente com o partido da ordem mobilizou toda a nação contra a Assembléia Nacional Constituinte até que em maio é dissolvida.

2 comentários:

Anônimo disse...

Parabéns, prof.
O blog está maravilhoso.
Marí - Natal

Itamar Nunes da Silva disse...

Obrigado Marí pela sua visita. Fique a vontade para consultá-lo sempre que quizer. Abraço

Itamar Nunes